Catálogo comemorativo do centenário de Almada Negreiros
«Almada tornou-se uma referência obrigatória para qualquer estudo dos movimentos artísticos e literários das primeiras décadas do século XX. Não sendo fácil encontrar artistas que revelem uma mesma craveira em duas artes diferentes – neste caso «manipulando» a palavra e a imagem -, mais notável se tornam a sua personalidade e o seu trabalho, tratados com igual destaque nas obras de consulta sobre literatura e sobre artes plásticas. Em todos os «-ismos» que o atraíram ele se afirmou com grande qualidade e novidade. A rapidez do percurso e sucessiva adopção das posturas implícitas revela algo que se pode afirmar ter sido a sua atitude perante a vida: uma atitude de rebeldia e de vontade de chocar o público, atitude totalmente irreverente e mesmo iconoclasta.
É essa atitude que justifica as declarações imodestas e extraordinárias que várias vezes fez sobre si próprio. Entre elas há que destacar agora aquela que se refere ao ano de 1993, o ano do seu centenário, quando ele achava que esse centenário seria festejado universalmente, tornando-se assim a data mais memorável no que lhe dizia respeito.
De facto, Almada ficaria satisfeito se pudesse assistir às actividades de diversa ordem que têm contribuído para abrilhantar esta comemoração. E o Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro não poderia alhear-se dessas actividades. Escolheu-se uma área consentânea com a especificidade da instituição, ou seja a sua relação com o texto, literário ou não, como autor e ilustrador.
O mais difícil de conseguir terá sido a escolha dentro de uma obra vastíssima, da poesia ao ensaio, da caricatura aos estudos geométricos. Connosco colaboraram bibliotecas espanholas, guardiãs da igualmente grande produção de Almada durante os cinco anos que viveu em Madrid.
Esta combinação de dois vectores da obra de Almada negreiros contribuirá decerto para enriquecer a perspectiva geral de um artista a quem tudo interessou e em cujo legado há sempre um motivo de interesse para qualquer público.» Maria Leonor Machado de Sousa, Presidente do IBL





