Catálogo editado por ocasião do ciclo «Francis Ford Coppola em Contexto», decorrido entre Março e Junho de 1987 na Fundação Calouste Gulbenkian e na Cinemateca Portuguesa.
«NOTA DE ABERTURA: Não há nada menos controverso do que dedicar um Ciclo à obra de Francis Ford Coppola. Um pouco por toda a parte, festivais e Cinematecas, de uma forma ou de outra, têm prestado tributo a essa figura central do “renascimento” do cinema americano.
Todavia, o estatuto de Francis Coppola está longe de ser objecto de consagração unânime. Afinal, que lugar se lhe reserva na história recente da cinematografia do seu país? Ninguém, é certo, poderá legitimamente contestar o seu papel dinamizador, quando, através da fundação da American Zoetrope, criou as condições para o aparecimento de uma nova geração de cineastas, que depressa se constituiria como o núcleo mais poderoso (para todos os efeitos) da indústria cinematográfica americana. Lembro que nessa geração se incluem, entre outros, nomes como George Lucas, Steven Spielberg, Martin Scorcese, Brian de Palma e John Milius.
Mas se, nessa área de estímulo (e efectiva produção) aos novos cineastas, a consagração de Coppola é um dado adquirido, tanta é a matéria de facto que a cauciona, já no estrito, campo da criação estética, em que ganha indiscutível importância o julgamento subjectivo, qual seja o valor e a singularidade da obra de Coppola ainda é matéria pouco pacífica. Se há quem afirme que bastariam os dois Godfather e o Apocalypse Now, para garantir a Coppola um lugar entre os maiores cineastas americanso das últimas décadas, também há quem não hesite em “desmistificar” as “ilusões experimentalistas” que o seu cinema teria adquirido nos anos 80, de One From the Heart a The Cotton Club, passando por Rumble Fish. A violência dessa “desmistificação” tem mesmo assumido proporções — sobretudo nas campanhas massivas da Imprensa americana — que ultrapassam o simples quadro dos juízos estéticos, como se, mais do que o “valor” do cineasta, na apreciação da sua obra estivesse em causa o futuro do próprio cinema.
Neste catálogo e neste Ciclo, para além do óbvio e justíssimo tributo implícito, o leitmotif será o da articulação entre o espírito de reforma de Coppola da produção americana e o que eu creio ser a grandeza das suas premissas estéticas. Dito de outro modo, o que neste Ciclo e neste catálogo se pretende mostrar é que a carreira de Coppola supõe um projecto (utópoico) em que a tecnologia, o estúdio, a equipa (técnicos e actores) e o filme sejam partes solidárias e indissociáveis de um todo.»
Encadernação do editor com gravação a azul na pasta anterior e na lombada e com sobrecapa de protecção em acetato. Inclui folhas de guarda decorativas, uma fita azul em tecido para marcar páginas, e é impresso em papel couché, com separadores de capítulos em cartolina. Inclui grande quantidade de fotografias a preto e branco e a cores.








