[PT]
21º volume da Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines. Editado por Marcos Farrajota e publicado pela Associação Chili Com Carne no âmbito da comemoração da primeira edição desta obra, lançada originalmente pela Plana Press em 2014. A edição teve uma reedição pela autora, ambas redigidas em inglês. O design do livro foi replicado da edição original desenhada por Luís Camanho e Ana Isabel Carvalho. Inclui o excerto traduzido do prefácio da primeira edição de Anna Shepperd.
«Do ativismo, como não raro de eventos culturais, só tende a ficar uma
vaga memória coletiva ou, pior, uma frase numa cronologia. Lembramo-nos
dos anos, das causas e das grandes conquistas, quando as há, mas não do
cartaz que desenhaste ou das reuniões noite dentro. A não ser, claro, na
história oral das pessoas envolvidas. Quantas feiras de livros e
exposições e ciclos de cinema e conversas e grupos mais ou menos
informais se vão fazendo e desfazendo ao longo dos anos, como uma linha
descontínua da energia que cada pessoa a cada momento conseguiu dar? É
que, como sublinhas aqui, a história do movimento é a história de quem
faz o movimento. E a história é lenta.
Quando voltas a Vilnius para apresentar o Propaganda, na sua versão
original em inglês pela Plana Press, fazem-te uma entrevista para o site
da LGL. Perguntam-te sobre literatura portuguesa e ativismo LGBTQ. Entre
outras coisas, respondes que «this is the first comic book that is more
specific on the subject to be published in Portugal». Uma década depois,
isto ainda é verdade.»
[EN] «From activism, as is not uncommon in cultural events, it tends to become merely a vague collective memory or, worse, a phrase in a chronology. We remember the years, the causes, and the great achievements, when they exist, but not the poster you drew or the all-night meetings. Except, of course, in the oral history of those involved. How many book fairs and exhibitions and film cycles and conversations and more or less informal groups are being made and unmade over the years, like a discontinuous line of the energy that each person could give at each moment? Because, as you underscore here, the history of the movement is the history of those who make the movement. And history is slow.
When you return to Vilnius to present Propaganda, in its original English version by Plana Press, they interview you for the LGL site. They ask you about Portuguese literature and LGBTQ activism. Among other things, you respond that “this is the first comic book that is more specific on the subject to be published in Portugal”. A decade later, this is still true.»






